Escrita pelo dramaturgo britânico William Shakespeare entre 1599 e 1601, “A Tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca” (ou apenas “Hamlet”) conta a história de um príncipe que tenta vingar a morte de seu pai.
Na trama original, o rei dinamarquês, pai de Hamlet, é executado pelo próprio irmão, Cláudio, que passa a ocupar o trono.
Além disso, a rainha Gertrudes, mãe do protagonista, acaba se casando com o cunhado apenas um mês após a morte do marido, o que deixa Hamlet ainda mais ressentido.
Por isso, ele elabora um plano para assassinar o tio, e conta com a compaixão de Ofélia, por quem se interessa afetivamente.
Em São Paulo, as peças “Black Machine”, “Hip Hop Hamlet” e “Shakespeare Embriagado – Hamlet” mantêm a trama central, mas transportam a história para cenários mais modernos.
Elas estão em cartaz em dois teatros na Avenida Paulista (Bela Vista e Cerqueira César) e em um bar na Vila Madalena (zona Oeste), em curta temporada.
A obra
Reescrita ao longo dos anos pelo autor, a peça aborda temas como traição, vingança, corrupção e moralidade.
Apenas as três primeiras versões da obra sobreviveram até os nossos dias. A primeira é a mais dinâmica, centrada na trama política, mas de duração mais curta.
A mais popular e conhecida é a terceira, que se debruça mais sobre temas filosóficos, sendo uma das obras responsáveis por estabelecer a corrente do Humanismo na Filosofia.
O texto foi encenado inúmeras vezes, ganhando diversas adaptações para o cinema, que vão de uma animação da Disney, protagonizada por leões, até um clássico do cinema, estrelado por Laurence Olivier (1907-1989).
No teatro, o príncipe dinamarquês já foi interpretado por nomes como Andrew Scott, Adrian Lester, Benedict Cumberbatch, David Tennant, Ralph Fiennes e Paapa Essiedu – esse último, em uma montagem com elenco majoritariamente negro, que transportou a história para uma república africana moderna.
No Brasil, Sérgio Cardoso, Walmor Chagas, Marcelo Drummond (na montagem do Teatro Oficina), Wagner Moura, Thiago Lacerda e Chico Carvalho já estiveram na ‘pele’ do príncipe.
Três novas versões da tragédia passam por palcos da capital paulista neste mês de dezembro, e duas delas se valem de elementos da cultura negra para contar a história. Conheça esses espetáculos a seguir:
Black Machine

Mariana Esteves e Fernando Lufer, em “Black Machine”. | Foto: Reprodução/site Itaú Cultural
Idealizada por Fernando Lufer, que também interpreta o príncipe na montagem, essa versão transforma a história de Hamlet e Ofélia em uma peça pop, que toca em temas relacionados a questões étnico raciais, necropolítica, masculinidade tóxica, desejo e dor.
Com dramaturgia de Dione Carlos e direção geral de Eugênio Lima, a peça retrata Hamlet não mais como um príncipe dinamarquês, mas como um homem que vive as consequências da colonização e do racismo, atravessado pelas vozes de Frantz Fanon, Jean-Michel Basquiat, Aimé Césaire e Mano Brown.
Ofélia, interpretada por Mariana Esteves, também ganha nova personalidade: deixa de ser passiva e vítima dos homens ao seu redor, mostra seu lado revolucionário, sendo dona da própria voz, construção influenciada por Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro e Erykah Badu.
Itaú Cultural Av. Paulista, 149, Bela Vista (11) 2168-1777 | @itaucultural De quinta-feira a sábado, às 20h | domingo, às 19h Até 14 de dezembro
Hip Hop Hamlet
A montagem, que adapta o clássico de Shakespeare para a linguagem do hip hop, também marca a inauguração do Teatro YouTube, que fica na Galeria Magalu, no Conjunto Nacional (região central), nesta quinta-feira (18).

O elenco de “Hip Hop Hamlet”. | Foto: Julio Leão.
Elaborada pelo Núcleo Bartolomeu de Depoimentos e dirigida por Guilherme Leme, a peça transporta o contexto da tragédia para a realidade periférica atual.
Enquanto o personagem titular (interpretado por Dom Capelari) mantém seu roteiro de vingança, a personagem de Ofélia (Ayomi Domenica) se mostra diferente da donzela do original, transformando seu desfecho trágico.
Teatro YouTube - Sala Eva Herz Av. Paulista, 2.073, Cerqueira César (Galeria Magalu - Conjunto Nacional) @youtube e @youtubebrasil De quarta a sexta, às 20h | sábados, às 17h e às 20h | domingos, às 18h Em cartaz de 18 a 21/12 e de 7 a 25/01
Shakespeare Embriagado – Hamlet
A versão, realizada pela Benjamin Produções, dá à tragédia uma releitura cômica.
Isso ocorre devido ao seu formato curioso: encenada em um bar, alguns dos personagens são interpretados por espectadores voluntários, escolhido na hora pelo elenco.
É o que acontece com o Rei Cláudio, vilão da história. Mais que ser o responsável pela morte do Rei Hamlet, essa pessoa tem um grande poder em suas mãos: a qualquer momento da apresentação, ela pode tocar uma sineta, obrigando todo o elenco a tomar um shot de bebida alcoólica.

Cena de “Shakespeare Embriagado – Hamlet”, no bar Coringa Madá. | Foto: Marcos Moraes.
O desafio do elenco está em terminar a peça, apesar de embriagados.
Com dramaturgia de Karol Garret e direção de Dagoberto Feliz, a peça reduz a trama para uma hora de duração e recheia o espetáculo de músicas já conhecidas pelo público, garantindo uma noite divertida e festiva.
Sempre apresentado em bares, esse formato surgiu em Nova York, em 2014, em comemoração aos 450 anos de Shakespeare.
A trupe também apresentará uma versão de Romeu e Julieta neste mesmo formato. Veja as datas:
Bar Coringa Madá R. Luís Murat, 370, Vila Madalena (61) 98423-5190 | @coringa.mada Hamlet: 19/12 (sexta), às 20h30 Romeu e Julieta: 12/12 (sexta), às 20h30 __





