Othon Bastos protagoniza “Não Me Entrego, Não!”

Premiado espetáculo leva ao palco lembranças, vivências e fatos marcantes da história do ator

Othon Bastos - Não Me Entrego Não! Crédito: Beti Niemeyer

Informações

  • Data de inicio e término

    20 mar até 21 abr

  • Dias da semana e horários

    De quinta a sábado, às 20h | Domingo, às 18h | Dia 21/04, segunda, às 15h

  • Endereço

    R. Dr. Plínio Barreto, 285 - Bela Vista

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  • Valores

    R$ 70,00 (inteira) | R$ 35,00 (meia) | R$ 21 (Credencial Sesc)

Mais detalhes

A peça “Não Me Entrego, Não!”, sucesso de público e crítica, nasceu de uma iniciativa de Othon Bastos, que completa 92 anos em maio. Ele desejava fazer um espetáculo sobre a própria vida, e colocou no papel alguns pensamentos, experiências, coisas de que gosta e anotações, sintetizando seus 74 anos de carreira, em cerca de 600 páginas.

Ele deixou o calhamaço de escritos aos cuidados do dramaturgo Flávio Marinho, de quem é amigo há mais de 20 anos. O material, elaborado a partir de uma minuciosa pesquisa, foi organizado, transformado em roteiro teatral e chegou aos palcos do país com a direção de Marinho.

“Ali tinha um resumo bom sobre mim. E fomos fazendo: ele leu, entendeu e foi montando o espetáculo”, diz Bastos.

Com a experiência de quem criou muitos tipos e contou diversas histórias ao longo da vida, o monólogo do ator atingiu números expressivos: entre as temporadas oficiais da peça em capitais, ele circula com o trabalho por cidades de vários estados do país, e já contabiliza mais de 40 mil espectadores e 100 apresentações.

O espetáculo foi indicado ao Prêmio FITA (Festa Internacional de Teatro de Angra), que premiou Flávio Marinho, na categoria Melhor Autor, e Othon Bastos, com o Prêmio Oficial do Júri.

A dupla também foi homenageada na 1ª edição do Prêmio Arte e Longevidade Rio 2024. Além disso, Bastos foi indicado pelo júri carioca ao Prêmio Shell, na categoria Melhor Ator, e levou o prêmio Cariocas do Ano, da revista Veja Rio, na categoria Teatro.

O espetáculo ainda concorre ao prêmio APTR (Associação de Produtores de Teatro), em cinco categorias: dramaturgia e direção (Flávio Marinho), ator protagonista (Othon Bastos), espetáculo e produção não-musical.

A ideia de relembrar as próprias histórias em cena surgiu depois de Bastos assistir à montagem “Judy: O Arco-Íris é Aqui”.

“Eu pensei como é maravilhoso contar a vida de alguém no palco. E aí falei com o Flávio, que montou o espetáculo. Embora seja uma peça sobre minhas memórias, acho que é mais difícil me lembrar do texto, porque ele chega editado, diferente das lembranças espontâneas”, confidencia o ator.

Mas ele não se limita às experiencias como ator, e menciona um fato político, levando para a peça historietas e pequenas pensatas políticas.

“O Flávio escreveu maravilhosamente bem. Começa nos meus 11, 12 anos e vem até hoje. Nada foi fácil para mim, em muitos dos meus principais papéis eu entrei substituindo outro ator. Se alguém me perguntar como comecei minha carreira, eu digo que comecei substituindo o Walter Clark, que era meu colega de turma de teatro, e depois muitas outras coisas aconteceram. O Chico Xavier já dizia que se uma coisa é sua, ela te encontra, não é preciso se preocupar”, afirma.

Apesar de ser um monólogo, o artista tem a companhia de sua “memória” em cena, com a atriz Juliana Medela fazendo observações relacionadas às falas.

“A ideia de ter a minha memória em cena foi minha, achei que seria interessante ter uma espécie de Alexa em cena. Ela entra para fazer descrições”, diverte-se Othon, numa alusão à assistente virtual da Amazon.

A carreira do ator tem personagens marcantes, tanto no teatro, com destaque para “Um Grito Parado no Ar”, de Gianfrancesco Guarnieri, como no cinema, em trabalhos como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha. Ele leva seus principais personagens para a cena, propondo uma reflexão sobre cada momento da sua trajetória.

Trata-se do mural de uma vida, dividido em blocos temáticos – trabalho, amor, teatro, cinema, política etc. – com citações e referências a alguns dos autores mais importantes do mundo.

A peça é uma lição de vida e de resiliência, mostra caminhos para enfrentar e superar os obstáculos que se apresentam em nossa existência.

Com a missão de converter tantas lembranças e histórias em um texto pronto para o teatro, Flávio Marinho teve de condensar os anos de vivência de Bastos em alguns minutos de espetáculo.

“À primeira vista, o que temos é o próprio Othon Bastos, que estará em cena contando histórias divertidas e dramáticas da sua vida pessoal e profissional. Isto seria, digamos, o esqueleto dramático da peça. Só que este esqueleto é recheado de diversas reflexões, frutos imediatos do tema abordado por ele. Por exemplo, depois que ele encontra o amor da vida, com quem está casado há 57 anos, o texto passa a refletir o sentimento do amor, através de diversas referências e citações”, fala o diretor.

Marinho trabalha com a mesma equipe teatral há mais de 35 anos, reunindo profissionais como Liliane Seco (Trilha Original), Paulo Cesar Medeiros (Iluminação), Fabio Oliveira (Administração), Ronald Teixeira (Direção de Arte), Beti Niemeyer (Fotografia), Bianca De Felippes (Produtora) e Gamba (Programação Visual). “Já somos considerados uma família”, conclui.

“É um momento único, mesmo: meu primeiro monólogo e sobre a minha própria vida. É uma experiência muito forte eu ter que ser o meu próprio centro em cena. Mas não trazemos nenhuma lembrança amarga, apenas as alegres e divertidas, para levar curiosidades do que vivi ao longo de todos esses anos ao público, que saberá o que se passa com um ator – que é uma pessoa comum. Quando se recebe um dom como esse, você tem a capacidade de doar o que recebeu. Então, é isso que eu quero, me doar – e que as pessoas me leiam. Quero que elas vejam quem eu sou e como sou”, finaliza Othon Bastos.

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