Nydia Negromonte expõe na Galeria Lume

"A Parte que Suporta a Parte" investiga a matéria e suas transformações, dissolvendo hierarquias

A parte que suporta a parte

Informações

  • Data de inicio e término

    15 mar até 26 abr

  • Dias da semana e horários

    Segunda a sexta, das 10h às 19h | Sábado, das 11h às 15h

  • Endereço

    Rua Gumercindo Saraiva, 54 - Jardim Europa

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Mais detalhes

“O desejo de quem sabe um pouco e quer saber um pouco mais.” Essa busca contínua, guiada pela curiosidade e pela intuição pode ser considerada um dos pilares da produção de Nydia Negromonte, artista que ocupa a sala expositiva II da Galeria Lume a partir do dia 15 de março com sua individual “A Parte que Suporta a Parte”.

Com texto curatorial de Mariana Leme, a artista investiga as relações como parte constitutiva da existência, e sugere que a autonomia de um objeto, da história de um sujeito e da própria arte é uma convenção, e não uma realidade.

Com profundo interesse pela matéria que estrutura todas as coisas, Negromonte propõe um deslocamento dos significados tradicionalmente atribuídos a elas, abstraindo sua forma, função, nome e significado. Sua pesquisa convida à observação atenta da matéria, dissolvendo hierarquias entre as palavras e as coisas e desafiando expectativas de significados aparentes, durabilidade e autossuficiência.

“Todos os rios e oceanos são feitos de água, mas cada um é particular”, escreve Mariana Leme no texto “Debaixo de Tudo”, feito para a mostra “Desenhos são Como Sementes Debaixo de Tudo”, individual da artista apresentada em Belo Horizonte (2024).

A obra “Posta”, que integrou outras importantes mostras, como a 30ª Bienal de São Paulo, reaparece em “A Parte que Suporta a Parte” sob nova configuração. Antes apresentada sobre longas mesas de madeira, agora se acumula no chão: hortaliças revestidas de argila porcelana ocupam o espaço expositivo, revelando, ao longo do tempo, seu processo de transformação.

Durante a exposição, frutas, legumes e tubérculos brotam, desidratam-se e apodrecem, tornando visível a impermanência da matéria e expondo a investigação de Negromonte à tal transitoriedade, dando forma ao tempo.

O desenho surge como um desdobramento dessa investigação, assim como suas instalações e experimentações com materiais efêmeros; a série “Umbra” parte da observação de objetos e suas sombras, criando superfícies bem delimitadas de cor, mas que se formam entre matéria e luz, fazendo com que a referência da matriz do objeto real seja praticamente perdida.

Nydia Negromonte propõe um olhar que ultrapassa a forma imediata das coisas, explorando os limites entre presença e ausência, materialidade e vestígio. Sua prática revela um mundo em constante fluxo, no qual matéria e imagem, permanência e impermanência se entrelaçam.

Em “A Parte que Suporta a Parte”, sua investigação não apenas dá corpo ao tempo, mas também nos convida a experimentar suas camadas, onde cada transformação — seja no traço do desenho ou na decomposição da matéria — reafirma a impossibilidade de fixar o mundo em uma única definição.

Sobre a artista

Nydia Negromonte nasceu em Lima, Peru, em 1965. Hoje vive e trabalha em Belo Horizonte, MG. A artista peruana radicada no Brasil, tem formação em desenho pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (1989), com especialização em gravura pela Facultat de Belles Arts da Universidade de Barcelona (1998). Foi artista residente no Hangar – Centre de producció i recerca d’arts visuals (1999-2000), também em Barcelona, cidade em que participou de importantes exposições e feiras.

Desde os anos 1990, apresentou mais de uma dezena de individuais, em espaços institucionais, independentes e comerciais, como o Centro Cultural São Paulo, a Fundação Ecarta (Porto Alegre), o Centro de Estudos Brasileiros (Buenos Aires) e as galerias Thomas Cohn (Rio de Janeiro), Manoel Macedo (Belo Horizonte) e Sicart (Barcelona), entre outros. Também fez parte de importantes exposições coletivas, nacionais e internacionais.

Destacam-se as individuais “Desenhos são Como Sementes Debaixo de Tudo”, Galeria do Centro Cultural UNIMED-BH Minas, (2024, curadoria Mariana Leme), “Lição de Coisas”, Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte (2012, curadoria de Renata Marquez), “Silo”, Sesc Palladium, Belo Horizonte (2016, curadoria de Fabíola Moulin e Marconi Drummond) e “Lección de Cosas”, Sala Luis Miró Quesada Garland, Lima, Peru (2018, curadoria de Andrea Elera e Jorge Villacorta).

Dentre as coletivas, estão “2002, Matéria Prima”, Novo Museu de Curitiba (2002, curadoria de Lisette Lagnado e Agnaldo Farias), “Tecendo o Visível”, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (2003, curadoria de Agnaldo Farias), “A Iminência das Poéticas”, 30ª Bienal de São Paulo, (2012, curadoria de Luis Pérez-Oramas) e “Afago”, Sesc Quitandinha, Petrópolis (2022, curadoria de Marcelo Campos).

Foi finalista da 7ª edição do Prêmio Indústria Nacional Marcantonio Vilaça (2019) e premiada no III Salão MAM, Museu de Arte da Bahia (1996), 26º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte (2000) e Fiat Mostra Brasil, Porão das Artes da Fundação Bienal (2006).

Em parceria com Marcelo Drummond, desde 2014 coordena o ESPAI, espaço autônomo de fomento às artes visuais sediado em Belo Horizonte.

  • Acessível para cadeirantes
  • Gratuito

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