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Última modificação setembro 16, 2026

“Do Cavalo Nada Sabemos” tem estreia brasileira

Peça é baseada em episódio no qual Friedrich Nietzsche se atirou ao pescoço do cavalo para protegê-lo

Informações

  • Data de inicio e término

    18/09/2026 até 11/10/2026

  • Dias da semana e horários

    Sextas-feiras, às 21h | Sábados e domingos, às 18h30

  • Endereço

    R. Bom Pastor, 822 - Ipiranga

    Ver no mapa
  • Valores

    R$ 15 (credencial plena), R$ 25 (meia-entrada) e R$ 50 (inteira)

Mais detalhes

Em julho de 2026, o ator, diretor e dramaturgo João Paulo Lorenzon voltou ao Festival de Avignon, na França, e se tornou o primeiro artista brasileiro a assinar, numa mesma edição do evento, o protagonismo de um espetáculo e a direção de outro: atuou em “Do Cavalo Nada Sabemos” e dirigiu “Nunca se tem tanta força como quando não se tem força nenhuma”, com Julia Setubal, inspirada no universo de Sarah Kane. 

Depois da passagem por Avignon, “Do Cavalo Nada Sabemos” faz sua estreia brasileira no Teatro Mínimo do Sesc Ipiranga.  A dramaturgia do solo toma como ponto de partida o episódio ocorrido em 3 de janeiro de 1889, na Piazza Carlo Alberto, em Turim. Ao ver um cocheiro espancando o animal, o filósofo Friedrich Nietzsche se atirou ao pescoço do cavalo para protegê-lo, chorou e, a partir daquele momento, entrou em colapso mental definitivo.

A montagem usa essa cena para investigar violência, culpa e o desejo de reparação. A peça trata a separação entre natureza e cultura como um erro de origem da civilização e defende que é preciso libertar a vida dos pontos em que ela ainda está presa à conduta humana.

 A construção textual contou com a colaboração da psicanalista Renata Zambonelli. A parceria expandiu o fato histórico de 1889 para uma reflexão contemporânea sobre o Antropoceno (a era geológica marcada pelo impacto da atividade humana sobre o planeta) e sobre a ansiedade climática.

Sob a direção conjunta de Denise Stoklos e Alessandra Maestrini, o processo de pesquisa da dramaturgia incorporou referências do cinema e da literatura, como o filme “O Cavalo de Turim”, de Béla Tarr; o longa-metragem polonês “Eo”, de Jerzy Skolimowski; e o conceito de ‘homem do subsolo’, de Fiódor Dostoiévski, personagem marcado pelo isolamento, pela amargura e pela autoconsciência. A principal matriz teórica da montagem é o pensamento da bióloga e filósofa norte-americana Donna Haraway, para quem humanos e não humanos precisam aprender a coabitar e coexistir em um planeta ferido.

 A estrutura dramatúrgica inicial baseou-se em uma obra ampla elaborada por Denise Stoklos, que mapeava manifestações históricas de opressão contra mulheres, indígenas e populações negras. Lorenzon optou por abstrair as citações diretas para ampliar as possibilidades de projeção do espectador.

 A encenação reúne a linguagem do Teatro Essencial de Denise Stoklos e a pesquisa vocal e interpretativa de Alessandra Maestrini. A direção levou o ator a explorar o contraste entre a “vontade de potência” nietzschiana e a destrutividade.  A montagem faz trabalhar o pensamento do filósofo para pensar conflitos contemporâneos. 

Os ingressos estão disponíveis na Central de Relacionamento Digital ou em qualquer unidade do Sesc SP.

  • Acessível para cadeirantes
  • $
  • Maiores de 16 anos

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